Descobri recentemente que pelo mundo em várias cidades existe uma rede social para convidar as pessoas a comerem juntas.
Gostei da notícia pois mostra que mesmo com a modernidade virtual o sentido do estar junto permanece como algo que instiga e que vem se mostrando valorizado.
Os membros cadastrados na rede planejam os mais variados eventos, convidam as pessoas, e estas saem da virtualidade para o convívio em torno da mesa com os alimentos que o evento propõe e que todos colaboram.
O nome da rede? eatwithme.net .
Os eventos também são os mais variados! Pode ser reunião em um restaurante, jantares em casa, cursos de culinária, piqueniques, workshops ou qualquer outro evento que envolva boa comida.
Gosto de saber que este aspecto da mesa (convivência) está sendo motivo de atenção.
Pois um bom prato se completa sempre em boa companhia!
A mesa como objeto será destacada em três dimensões símbolicas: Mesa arte. Mesa trabalho. Mesa valores. Partilhe através de seus comentários a "Beleza da Boa Mesa" nestes aspectos e com suas histórias.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Para ver e pensar...
E a Beleza?
Será que uma boa mesa sempre traz beleza?
Eu aqui pensando … diria que depende do ponto de vista.
Uma boa mesa, no sentido da combinação nutricional dos alimentos, traz beleza para a saúde necessária do nosso corpo. Mas a maneira como isso é apresentado para o grupo nem sempre pode ser bela. Refiro-me à estética que transmite cuidado. Isso necessariamente não tem relação direta com as normas de etiquetas. Arrisco a dizer que a segunda é consequência da primeira; ou seja, o cuidado externo na aparência do prato e do espaço promove um comportamento mais gentil à mesa. Compreender o tempo e o esforço que compõe a beleza efêmera do alimento à mesa é um gesto de extrema gentileza e reverência.
Pensemos um pouco na estética dos refeitórios das escolas. As mesas coletivas com seus bancos são uma herança dos antigos reformatórios, de responsabilidade de religiosos, com suas casas que abrigavam um grande número de crianças abandonadas. O conceito estético, ainda hoje existente na maioria dos espaços institucionais, é herança deste lugar, que no Brasil iniciou-se por volta de 1600. Desde então adotamos para os espaços de refeição coletiva uma estética que nem sempre podemos considerar bela. Inclusive por considerar sua origem.
Hoje reconhecemos estes bancos e suas longas mesas na maioria das escolas de ensino fundamental e, por incrível que pareça, nas prisões também.
Há também outros elementos que aproximam um lugar do outro do ponto de vista estético. Ambos usam colheres independentemente do prato servido. E, para muitos diretores de escola e professores, os argumentos são os dos diretores das prisões e agentes penitenciários: a segurança! É para a “criança não furar outra criança”, assim como é para um detento não ferir outro detento.
Este sentido dos espaços coletivos de alimentação nas escolas, a meu ver, não propicia uma estética de beleza, pois traz o sentido a priori do ser que não é civilizado.
Pensemos um pouco neste sentido herdado desde 1600 para os espaços públicos das refeições coletivas e consideremos: isso é bom? Consequentemente, é belo?
Mas, para o hábito social de comer em restaurantes, a ordem dos objetos segue outro sentido. Cada vez que adentro em um restaurante, aprecio o ambiente aconchegante. Aquele ambiente que traduz em todos os detalhes o respeito por aquele que chega, uma mesa com toalha limpa, um arranjo ao centro da mesa, carinhos que deixam a boa mesa bela, ressaltando a civilidade daquele que ali chegou.
Mais uma questão que fica em meu pensamento: por que a escola também não ressalta a civilidade das crianças por meio da bela e boa mesa?
Há que se pensar…
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O Trabalho!
Aos meus olhos, o trabalho é a dimensão da TRANSFORMAÇÃO.
O conhecimento do manejo da terra, a plantação. As receitas com suas ocasiões e histórias.
O trabalho transforma e uma boa mesa apresenta esta síntese.
Recentemente, pude encontrar adultos, em uma cidade chamada Saudade do Iguaçu, no Sudoeste do Paraná, que lembraram com emoção da famosa polenta do tempo de criança.
Mas a lembrança significativa traduzida na polenta era o começo da história.
O encanto se apresentava no domínio que as crianças tinham do processo : o plantio, a colheita, o transporte para o moinho de pedra no lombo do cavalo, muitas sem sela, e a espera da transformação do milho em fubá para trazer novamente para a casa.
Esta espera era temperada pela brincadeira. Cola (estátua), pega-pega, nadar no rio e andar a cavalo sem sela. E isso acontecia do lado de fora do moinho.
Nesse contexto, o trabalho se misturava com a diversão.
Tudo se transformava: o milho, em fubá e a criança, em amigo.
O alimento selava a experiência e o processo, registrando na alma e na lembrança o SABOR que a polenta feita em casa apresentava e saciava.
terça-feira, 21 de junho de 2011
E a mesa?
A mesa reúne, traz a convivência, a mesa traz os costumes quase que em uma conjunção de tempos do ontem e de hoje.
A mesa celebra a estética a beleza o bem viver, o encontro. A mesa é apoio, a mesa é suporte, é centro!
A mesa é forma, retangular, quadrada, triangular e redonda. A mim agrada muito a redonda.
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| Cena do filme Rei Arthur |
A mesa da conversa amiga, sincera, muitas vezes séria e sempre necessária. Que alegra o coração, faz pensar, criar acordos, celebrar caminhos, chegadas e partidas.
A mesa o objeto simples que catalisa valores humanos ao seu redor. Permeada pela cultura é sobre a mesa que as diferenças culinárias selam nossa diversidade, desta forma mostra, retrata o grupo no qual está inserida.
A mesa é o que queremos dela, ela é adaptável! Ela está em plena interação com a humanidade!
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