quinta-feira, 7 de julho de 2011

E a Beleza?


Será que uma boa mesa sempre traz beleza?
Eu aqui pensando … diria que depende do ponto de vista.
Uma boa mesa, no sentido da combinação nutricional dos alimentos, traz beleza para a saúde necessária do nosso corpo. Mas a maneira como isso é apresentado para o grupo nem sempre pode ser bela. Refiro-me à estética que transmite cuidado. Isso necessariamente não tem relação direta com as normas de etiquetas. Arrisco a dizer que a segunda é consequência da primeira; ou seja, o cuidado externo na aparência do prato e do espaço promove um comportamento mais gentil à mesa. Compreender o tempo e o esforço que compõe a beleza efêmera do alimento à mesa é um gesto de extrema gentileza e reverência.
Pensemos um pouco na estética dos refeitórios das escolas. As mesas coletivas com seus bancos são uma herança dos antigos reformatórios, de responsabilidade de religiosos, com suas casas que abrigavam um grande número de crianças abandonadas.  O conceito estético, ainda hoje existente na maioria dos espaços institucionais, é herança deste lugar, que no Brasil iniciou-se por volta de 1600. Desde então adotamos para os espaços de refeição coletiva uma estética que nem sempre podemos considerar bela. Inclusive por considerar sua origem.
Hoje reconhecemos estes bancos e suas longas mesas na maioria das escolas de ensino fundamental e, por incrível que pareça, nas prisões também.
Há também outros elementos que aproximam um lugar do outro do ponto de vista estético. Ambos usam colheres independentemente do prato servido. E, para muitos diretores de escola e professores, os argumentos são os dos diretores das prisões e agentes penitenciários: a segurança! É para a “criança não furar outra criança”, assim como é para um detento não ferir outro detento.
Este sentido dos espaços coletivos de alimentação nas escolas, a meu ver, não propicia uma estética de beleza, pois traz o sentido a priori do ser que não é civilizado.
Pensemos um pouco neste sentido herdado desde 1600 para os espaços públicos das refeições coletivas e consideremos: isso é bom? Consequentemente, é belo?
Mas, para o hábito social de comer em restaurantes, a ordem dos objetos segue outro sentido. Cada vez que adentro em um restaurante, aprecio o ambiente aconchegante. Aquele ambiente que traduz em todos os detalhes o respeito por aquele que chega, uma mesa com toalha limpa, um arranjo ao centro da mesa, carinhos que deixam a boa mesa bela, ressaltando a civilidade daquele que ali chegou.
Mais uma questão que fica em meu pensamento: por que a escola também não ressalta a civilidade das crianças por meio da bela e boa mesa?
Há que se pensar… 

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